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Comunicação interna, RH

Comunicação interna nas empresas: O segredo da Campari

Comunicação interna, RH

Comunicação interna nas empresas: O segredo da Campari

  • 23/01/2026
  • Samarony Batista
🕒 Tempo de leitura: 8 minutos

A comunicação interna nas empresas foi construída, historicamente, para garantir que a informação circulasse de forma clara e organizada. Avisos, políticas, campanhas e comunicados sempre tiveram como objetivo alinhar o cotidiano. Durante muitos anos, esse modelo atendeu bem as organizações mais tradicionais.

O contexto atual é outro. As empresas cresceram, se tornaram mais distribuídas e passaram a operar com maior interdependência entre as áreas. Assim, a comunicação interna deixou de impactar apenas a organização do trabalho e passou a influenciar engajamento, pertencimento e alinhamento cultural. Informar continua sendo necessário, mas já não sustenta, por si só, a conexão das pessoas com a empresa.

Neste artigo, você vai entender por que a comunicação interna se tornou um tema estratégico nas empresas, quais sinais indicam que o modelo atual já não acompanha a realidade do negócio e de que forma o Campari Group enfrentou esse desafio ao estruturar sua comunicação interna para acompanhar a evolução da organização e fortalecer a experiência do colaborador.

Os sinais de desgaste na comunicação interna nas empresas

Na prática, a comunicação interna nas empresas quase nunca para de funcionar. Os comunicados continuam sendo enviados, os canais seguem ativos e as rotinas acontecem. Mesmo assim, surgem problemas que muitas vezes passam despercebidos. Mensagens não são lidas, a participação é baixa e manter a atenção das pessoas se torna cada vez mais difícil.

A informação chega, mas não aproxima. As pessoas ficam sabendo do que está acontecendo, porém não entendem bem por que as decisões são tomadas nem como o próprio trabalho se conecta com o restante da empresa. Com o tempo, essa falta de clareza afeta a forma como as pessoas se sentem em relação à empresa e ao que estão construindo no dia a dia.

Isso acontece porque informar não é o mesmo que comunicar. Informar é enviar dados de forma direta. Comunicar exige explicar, dar contexto e ajudar as pessoas a entenderem o que aquilo significa na prática. Quando a comunicação se baseia quase só em e-mails e comunicados de mão única, as pessoas ficam em posição passiva. A mensagem chega, mas não gera conversa nem identificação. Aos poucos, esse modelo perde força e enfraquece a conexão entre as pessoas e a organização.

Escuta como base para evoluir a comunicação interna nas empresas

A comunicação interna nas empresas costuma perder força quando a solução passa a ser apenas criar novos canais ou adotar novas ferramentas. Antes de qualquer mudança visível, existe uma etapa que muitas vezes é ignorada: entender como as pessoas se comunicam de fato no dia a dia. Isso inclui perceber quais informações fazem sentido, quais ajudam no trabalho e quais acabam sendo ignoradas por não dialogarem com a rotina real das equipes.

Escutar, nesse contexto, significa observar hábitos, ritmos de trabalho, limitações de tempo e formas naturais de troca entre as pessoas. Em muitas organizações, o problema não está na falta de comunicação, mas no excesso de mensagens pouco conectadas à realidade. Quando tudo é comunicado da mesma forma, nada se destaca. Aos poucos, a atenção diminui e a comunicação perde espaço no cotidiano.

Esse cenário se intensifica conforme a empresa cresce. A proximidade entre as pessoas diminui, novas áreas surgem e a informalidade, que antes sustentava o alinhamento, deixa de ser suficiente. A cultura continua existindo, mas os canais e formatos já não acompanham a complexidade do negócio. A informação segue circulando, porém a troca se enfraquece e o entendimento passa a depender de esforços pontuais.

Quando a escuta orienta as decisões, a comunicação deixa de ser apenas um fluxo de mensagens e passa a acompanhar o crescimento da empresa. Esse é o ponto em que o modelo precisa evoluir, não por moda ou tendência, mas porque a organização já não funciona como antes e a forma de comunicar precisa refletir essa mudança.

O segredo da Campari para transformar a Comunicação Interna

A comunicação interna nas empresas foi um tema aprofundado em um webinar realizado pelo BWG, que teve como convidada Giovana Cesario, HRBP do Campari Group, que compartilhou a experiência da organização ao transformar a forma de comunicar internamente.

Com uma cultura organizacional marcada por proximidade, colaboração e relações pouco hierárquicas, a comunicação sempre aconteceu de forma direta e próxima, sem grandes estruturas formais. Durante muito tempo, esse modelo foi suficiente para sustentar o alinhamento interno, apoiado pela relação próxima entre liderança e equipes.

Com o crescimento da operação, no entanto, começaram a surgir sinais claros de desgaste. O volume de informações aumentou, o uso de e-mails se intensificou e a comunicação passou a cumprir, cada vez mais, um papel informativo. As mensagens continuavam sendo enviadas, mas passaram a ser menos lidas, e a interação entre áreas se tornava mais pontual, indicando que o modelo já não acompanhava a complexidade do dia a dia.

“A gente se comunicava, mas fazia isso de forma muito caseira, sem método e sem uma linguagem pensada para engajar”

Durante o webinar, Giovana resumiu bem esse momento ao afirmar isso. A fala ajuda a entender que o problema não era a ausência da comunicação interna, mas a falta de estrutura para sustentar o novo momento da empresa.

Diante desse cenário, a organização reconheceu que a CI precisava evoluir de forma mais organizada. A decisão foi buscar apoio especializado, contratando uma agência de comunicação interna para apoiar esse processo. Não se tratava de corrigir falhas pontuais, mas de profissionalizar algo que já existia, trazendo método, clareza de linguagem e organização.

O trabalho envolveu a reorganização dos canais, a adaptação da linguagem aos diferentes públicos e a criação de formatos mais conectados à cultura da empresa, sempre orientados pela escuta das pessoas. A comunicação deixou de se concentrar apenas no envio de mensagens e passou a apoiar o cotidiano, o relacionamento entre áreas e a participação dos colaboradores.

Esse movimento mostrou que, quando a comunicação interna nas empresas é tratada de forma estruturada e com apoio especializado, ela acompanha o crescimento da organização e fortalece a conexão das pessoas com o que está sendo construído.

Liderança no dia a dia da comunicação interna

Na experiência do Campari Group, ficou claro que a comunicação interna não depende apenas de canais ou mensagens bem escritas. Ela depende muito da forma como a liderança se comporta no dia a dia. O que líderes fazem, priorizam e reforçam nas conversas comunica tanto quanto qualquer comunicado oficial.

Durante o webinar, a Giovana contou que a comunicação começou a ganhar mais força quando a liderança passou a participar mais ativamente. Ao incentivar o uso dos canais e reforçar mensagens nas conversas com os times, os líderes ajudaram a mostrar que a comunicação não era apenas algo do RH, mas parte da rotina da empresa.

Quando existe coerência entre o que é comunicado e o que é praticado, as pessoas tendem a confiar mais. Quando isso não acontece, mesmo boas iniciativas acabam perdendo espaço no dia a dia.

Engajamento como resultado da experiência do colaborador

Outro ponto que vimos no exemplo do Campari Group é que engajamento não surge de ações pontuais. Ele não acontece porque uma campanha foi lançada ou porque um novo canal foi criado. Engajamento aparece quando as pessoas entendem melhor o que está acontecendo e se sentem incluídas nesse processo.

Na prática, a comunicação passou a ajudar as pessoas a entenderem o contexto das decisões e como o trabalho de cada área se conecta com o todo. Quando a comunicação explica o porquê das coisas, ela deixa de ser apenas informativa e passa a fazer mais sentido para quem recebe.

Isso ajuda a entender por que olhar apenas para números de engajamento nem sempre explica o cenário completo. O envolvimento das pessoas costuma ser consequência de uma experiência mais clara e consistente ao longo do tempo.

Ao estruturar melhor a comunicação interna, a organização buscou algo que acompanhasse sua evolução, e não uma solução pontual. Isso significou pensar em diferentes públicos, adaptar formatos e manter a comunicação integrada ao cotidiano dos colaboradores.

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BWG (Best Way Group) é um ecossistema de tecnologia de pessoas voltado para o RH e os desafios de quem trabalha com gente. O BWG oferece soluções que atendem às necessidades das novas formas de trabalho, como Folha de Pagamento, Consultoria & Corretora, Agência de Comunicação Interna e Rede Social Corporativa.

Foto de Samarony Batista

Samarony Batista

Sou um profissional de Comunicação com 15 anos de experiência, sendo 6 deles só em empresas de tecnologia SaaS B2B. Graduei-me em Relações Públicas pela Universidade Federal do Amazonas e desde então tenho trilhado uma jornada focada em criar experiências positivas que conectam empresas aos seus públicos de forma autêntica. Atualmente, sou analista de marketing no BWG. Já atuei como relações-públicas na Justiça Federal, desempenhei o papel de coordenador de comunicação no CEST, assumi funções estratégicas como analista de comunicação interna na Zenvia e Movidesk, além de ter trabalhado como Customer Success na SocialBase e gestor de eventos na UEA.
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