A LER e DORT reúne condições que afetam músculos, tendões, nervos e outras estruturas do sistema musculoesquelético e podem estar relacionadas às condições de trabalho. Para o RH, compreender os fatores que favorecem esses problemas ajuda a desenvolver ações de prevenção e a identificar situações que merecem atenção antes que comprometam a saúde dos colaboradores.
Segundo o Ministério da Saúde, LER/DORT compreende doenças, lesões e síndromes que afetam o sistema musculoesquelético e que podem ser causadas, mantidas ou agravadas pelo trabalho. Os sintomas podem incluir dor crônica, formigamento e fadiga muscular, atingindo principalmente regiões como pescoço, coluna, ombros e membros superiores ou inferiores.
Por isso, a prevenção não depende apenas de orientar o colaborador sobre a postura. Na realidade, fatores relacionados ao posto de trabalho, à repetição de movimentos, à organização das atividades e ao ritmo de trabalho também merecem atenção.
O que são LER e DORT?
LER significa Lesões por Esforços Repetitivos, enquanto DORT corresponde a Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho.
Embora os termos sejam frequentemente utilizados juntos, eles não representam uma única doença. O Ministério da Saúde utiliza LER/DORT para abranger diferentes problemas musculoesqueléticos relacionados ao trabalho.
Entre os sinais que podem aparecer estão:
- dor ou desconforto;
- formigamento;
- dormência;
- fadiga muscular;
- sensação de peso;
- redução da força;
- dificuldade para movimentar determinadas regiões.
Além disso, os sintomas podem surgir gradualmente. Por esse motivo, nem sempre o colaborador percebe imediatamente que determinada atividade ou condição de trabalho pode estar contribuindo para o problema.
O que pode favorecer LER e DORT?
Diversos fatores podem participar do desenvolvimento ou agravamento dessas condições. Entre eles, estão movimentos repetitivos, posturas inadequadas, esforço físico, ausência de variação nas atividades e determinadas características da organização do trabalho.
A própria abordagem do Ministério da Saúde destaca que a prevenção exige atenção aos fatores presentes nos ambientes e processos de trabalho.
Assim, não basta olhar apenas para a cadeira, a mesa ou o computador. É necessário observar como o trabalho acontece na prática.
Ergonomia vai além da postura
Quando se fala em prevenção de LER e DORT, ergonomia costuma ser um dos primeiros assuntos lembrados. Entretanto, a ergonomia envolve muito mais do que manter as costas retas ou ajustar a altura do monitor.
A NR-17, do Ministério do Trabalho e Emprego, estabelece diretrizes para adaptar as condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, buscando proporcionar conforto, segurança, saúde e desempenho eficiente. A norma considera aspectos como mobiliário, equipamentos, organização do trabalho, levantamento de cargas e condições de conforto.
Dessa maneira, uma avaliação adequada precisa considerar tanto o ambiente quanto a forma como as tarefas são executadas.
Pausas e alternância também ajudam
Manter a mesma atividade durante longos períodos pode aumentar a sobrecarga de determinados grupos musculares. Por isso, variar tarefas e permitir momentos adequados de recuperação fazem parte das medidas previstas na NR-17 para determinadas situações de trabalho.
A norma prevê, conforme a situação identificada na avaliação ergonômica, alternativas como pausas para recuperação psicofisiológica, alternância de atividades e mudanças na forma de execução ou organização das tarefas.
Esse cuidado também reforça uma ideia importante: pausa não significa simplesmente parar de trabalhar por alguns minutos. O objetivo é proporcionar recuperação adequada, sem aumentar a cadência individual depois do intervalo.
Como o RH pode contribuir para a prevenção?
O RH não precisa assumir sozinho as responsabilidades técnicas de ergonomia e segurança do trabalho. Ainda assim, pode atuar em parceria com as áreas responsáveis para fortalecer a prevenção e a comunicação com os colaboradores.
Algumas iniciativas podem fazer parte dessa estratégia:
Incentive a identificação precoce dos sintomas
Campanhas internas podem orientar os colaboradores a não ignorarem dores, formigamentos ou outros sintomas persistentes.
Quanto mais cedo uma alteração recebe atenção profissional, maior a possibilidade de investigar suas causas e evitar o agravamento do quadro.
Apoie ações de ergonomia
Treinamentos, avaliações dos postos de trabalho e orientações práticas podem ajudar a identificar ajustes necessários.
Além disso, a NR-17 prevê a avaliação das situações de trabalho e a adoção de medidas de prevenção de acordo com os riscos identificados.
Incentive pausas adequadas
O RH pode trabalhar junto às lideranças para que as pausas previstas ou recomendadas sejam respeitadas.
Ao mesmo tempo, é importante evitar uma cultura em que fazer uma pausa seja interpretada como falta de produtividade. O descanso adequado pode fazer parte da própria organização saudável do trabalho.
Observe a organização das atividades
A prevenção também passa pela forma como as tarefas são distribuídas.
Por exemplo, alternar atividades quando possível pode reduzir a exposição prolongada aos mesmos movimentos ou posturas. A NR-17 contempla justamente a alternância de atividades como uma das alternativas de prevenção em determinadas situações.
O trabalho remoto também merece atenção
A prevenção de LER e DORT não termina quando o colaborador deixa o escritório.
No home office, improvisar uma estação de trabalho, utilizar equipamentos inadequados ou permanecer muitas horas na mesma posição pode favorecer desconfortos musculoesqueléticos.
Por isso, empresas com equipes híbridas ou remotas também podem incluir orientações ergonômicas em suas ações de saúde. O conteúdo pode abordar organização do espaço, alternância de posições e importância das pausas, sempre considerando as características de cada atividade.
Esse cuidado complementa outras iniciativas de bem-estar e prevenção, como as estratégias para tornar as pausas durante a jornada mais eficazes.
O que fazer quando o colaborador apresenta sintomas?
O RH não deve tentar diagnosticar a causa de uma dor ou definir o tratamento. Nesse caso, a orientação adequada é incentivar a busca por avaliação profissional.
Quando existe suspeita de relação entre sintomas e trabalho, a empresa deve envolver as áreas competentes de saúde e segurança ocupacional para avaliar a situação.
O Ministério da Saúde destaca que a prevenção de LER/DORT exige identificar e controlar fatores de risco nos ambientes e processos de trabalho.
Portanto, olhar para o problema depois que o sintoma aparece também pode gerar informações importantes para prevenir novos casos entre outros trabalhadores expostos às mesmas condições.
Como transformar prevenção em rotina?
Uma ação isolada dificilmente muda comportamentos de forma permanente. Por isso, o ideal é incorporar a prevenção de LER/DORT ao calendário de saúde e segurança da empresa.
O tema pode aparecer em treinamentos, campanhas de comunicação, ações de ergonomia, conteúdos sobre pausas e orientações para equipes remotas.
Além disso, os indicadores de saúde e segurança podem ajudar a identificar áreas ou atividades que merecem maior atenção. Com esse olhar, o RH consegue trabalhar de forma mais preventiva e direcionar as ações para necessidades reais da empresa.
Essa abordagem também está alinhada à ideia de promoção da saúde, transformando campanhas pontuais em hábitos permanentes de cuidado.
Dúvidas comuns sobre LER e DORT
LER e DORT são a mesma coisa?
Os termos são frequentemente utilizados juntos, mas LER significa Lesões por Esforços Repetitivos e DORT significa Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho. O Ministério da Saúde utiliza a denominação LER/DORT para abranger diferentes condições relacionadas ao sistema musculoesquelético e ao trabalho.
Apenas quem trabalha no computador pode ter LER e DORT?
Não. Diferentes atividades profissionais podem envolver fatores de risco musculoesquelético. Por isso, a prevenção deve considerar as características de cada trabalho, e não apenas o uso de computador.
Pausas ajudam na prevenção?
Em determinadas situações de trabalho, sim. A NR-17 prevê pausas e alternância de atividades entre as medidas de prevenção relacionadas à organização do trabalho.
Qual é o papel do RH?
O RH pode apoiar campanhas educativas, incentivar a identificação precoce de sintomas, facilitar a comunicação entre colaboradores e áreas responsáveis e contribuir para uma cultura que valorize prevenção, ergonomia e saúde.
Prevenir também é olhar para a forma de trabalhar
LER e DORT não devem ser tratados apenas como um problema individual. A forma como as atividades são organizadas, os recursos disponíveis e as condições do ambiente também fazem parte dessa equação.
Por isso, quando RH, lideranças e profissionais de saúde e segurança trabalham de maneira integrada, a empresa consegue identificar oportunidades de melhoria e fortalecer a prevenção.
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