O Setembro Amarelo é um período para reforçar a importância da saúde mental e da prevenção do suicídio. No ambiente corporativo, a campanha também pode abrir espaço para uma conversa necessária: reconhecer sinais de sofrimento, oferecer uma escuta acolhedora e mostrar aos colaboradores que pedir ajuda não é sinal de fraqueza.
O Ministério da Saúde destaca que o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial e reforça que reconhecer sinais de alerta pode representar um primeiro passo para oferecer ajuda. A orientação oficial também destaca a importância de conversar, escutar sem julgamentos e incentivar a busca por serviços de saúde.
No trabalho, essa atenção ganha uma dimensão ainda mais importante. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que determinados fatores relacionados ao ambiente profissional podem afetar a saúde mental, como sobrecarga, falta de apoio, assédio e outras condições psicossociais.
Nem sempre quem precisa de ajuda consegue pedir
Uma pessoa que enfrenta sofrimento emocional nem sempre consegue dizer claramente que precisa de ajuda. Em muitos casos, mudanças de comportamento aparecem antes de qualquer pedido direto de apoio.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- isolamento ou afastamento de familiares, amigos e colegas;
- tristeza, desesperança ou irritabilidade persistentes;
- perda de interesse por atividades que antes eram importantes;
- alterações significativas no sono ou no apetite;
- queda repentina no rendimento ou dificuldade para manter a rotina;
- falas relacionadas à falta de sentido, desesperança ou à vontade de não estar mais presente.
É importante, porém, não interpretar um sinal isolado como uma confirmação de risco. Além disso, os sinais de alerta não devem ser analisados separadamente. Mudanças persistentes ou a combinação de vários sinais merecem maior atenção. Assim como, uma mudança isolada não significa necessariamente que exista risco de suicídio, mas alterações persistentes, principalmente quando vários sinais aparecem juntos, justificam atenção e acolhimento.
O ambiente de trabalho também faz parte dessa conversa
O sofrimento emocional pode aparecer em qualquer lugar, inclusive durante a jornada de trabalho. Ao mesmo tempo, a própria organização do trabalho pode influenciar o bem-estar das equipes.
Ambientes de trabalho podem apresentar riscos psicossociais relacionados, por exemplo, à carga excessiva, jornadas inadequadas, baixo controle sobre o trabalho, discriminação, assédio e falta de apoio. Assim, é importante que ocorram ações envolvendo mudanças nas condições de trabalho e capacitação de gestores.
Por isso, o Setembro Amarelo não precisa se limitar a um comunicado sobre prevenção do suicídio. A campanha pode servir como ponto de partida para o RH olhar também para as condições que influenciam a saúde mental no cotidiano.
Quando é hora de prestar atenção?
O RH e as lideranças não precisam diagnosticar o que está acontecendo com um colaborador. Ainda assim, perceber mudanças importantes e saber acolher pode fazer diferença.
Algumas situações merecem atenção especial:
Mudanças no comportamento
Uma pessoa que normalmente interage com a equipe passa a se isolar. Da mesma forma, alterações repentinas na comunicação, irritabilidade ou perda de interesse podem indicar que algo mudou.
Dificuldade para manter a rotina
Quedas significativas no rendimento, faltas frequentes ou dificuldade incomum para cumprir tarefas podem acompanhar períodos de sofrimento emocional.
Falas de desesperança
Comentários sobre não encontrar saída, não ter motivos para continuar ou sentir que seria melhor não existir exigem atenção. Nesses casos, não é adequado minimizar o que a pessoa está dizendo ou tratar a fala como uma simples tentativa de chamar atenção.
Escutar também é uma forma de ajudar
Nem sempre é necessário encontrar a frase perfeita para iniciar uma conversa. Demonstrar preocupação de maneira respeitosa pode ser suficiente para abrir espaço.
Uma abordagem pode começar com uma pergunta simples, como “Você está bem?” ou “Percebi que você parece diferente nos últimos dias. Quer conversar?”
Depois, é importante ouvir sem julgamentos e evitar frases que diminuam o sofrimento, como “isso vai passar”, “você precisa ser forte” ou “todo mundo tem problemas”.
O papel das lideranças merece atenção
Gestores estão próximos da rotina das equipes e, por isso, podem perceber mudanças antes de outras áreas.
No entanto, reconhecer um sinal não significa assumir a responsabilidade de resolver o problema. O papel da liderança é acolher, ouvir, respeitar os limites e orientar o colaborador para os canais de apoio disponíveis.
Treinamentos podem ajudar gestores a desenvolver essa postura. Além disso, a empresa pode estabelecer orientações claras sobre o que fazer diante de situações de sofrimento emocional.
O melhor caminho é que empregadores ofereçam informações sobre saúde mental e prevenção do suicídio, garantam que os trabalhadores conheçam os recursos de apoio disponíveis e capacitem gestores para lidar com essas situações.
Onde o colaborador pode buscar ajuda?
Uma campanha só consegue cumprir seu papel quando a informação vem acompanhada de caminhos concretos para buscar cuidado.
O Ministério da Saúde orienta que pessoas em sofrimento podem procurar CAPS, Unidades Básicas de Saúde, UPAs, prontos-socorros e hospitais. Em situações de emergência, o SAMU atende pelo número 192.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo 188, 24 horas por dia, todos os dias. O atendimento também está disponível por chat e e-mail.
Para empresas que oferecem plano de saúde, vale ainda divulgar os canais de atendimento e os serviços de saúde mental disponíveis na operadora. Dessa maneira, o colaborador consegue identificar diferentes portas de entrada para o cuidado.
Como o RH pode fortalecer uma cultura de acolhimento?
O Setembro Amarelo pode ser uma oportunidade para revisar práticas que permanecem depois da campanha.
Entre as iniciativas possíveis estão:
- preparar gestores para reconhecer mudanças e acolher conversas;
- divulgar os canais de atendimento disponíveis;
- comunicar os recursos de saúde mental do plano de saúde;
- promover conteúdos educativos durante todo o ano;
- incentivar uma comunicação sem julgamentos;
- observar fatores do ambiente de trabalho que podem gerar sofrimento;
- criar espaços seguros para falar sobre saúde mental.
Mais do que organizar uma campanha, o objetivo é construir um ambiente em que pedir ajuda seja uma possibilidade real.
Setembro Amarelo continua depois de setembro
Uma comunicação sobre prevenção do suicídio não deve desaparecer junto com o fim da campanha. Depois de setembro, as equipes continuam enfrentando suas rotinas, os gestores continuam liderando pessoas e os canais de apoio continuam disponíveis.
Por isso, a saúde mental precisa fazer parte de uma estratégia permanente de promoção da saúde, junto a ações sobre estresse, sono, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e prevenção de riscos psicossociais.
Essa continuidade também ajuda a transformar campanhas de promoção da saúde em hábitos de cuidado, em vez de concentrar toda a atenção em um único mês.
Quando pedir ajuda é também um ato de cuidado
Falar sobre saúde mental de forma responsável ajuda a reduzir o silêncio e pode aproximar quem precisa de apoio dos caminhos de cuidado disponíveis. No ambiente corporativo, esse movimento começa com informação, mas precisa avançar para a escuta, o acolhimento e a criação de condições que favoreçam o bem-estar.
A BWG Corretora de Benefícios Corporativos pode contribuir para que o cuidado com a saúde mental esteja presente de forma contínua nas estratégias de saúde das empresas, conectando comunicação, benefícios e ações de prevenção às necessidades das equipes.