Liderança feminina: a importância das mulheres em cargos mais altos

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Liderança feminina: a importância das mulheres em cargos mais altos

A liderança feminina ainda é um tema bastante controverso no que diz respeito a quanto as empresas estão contribuindo para a igualdade de gênero.

Dados de uma pesquisa de 2019 mostram que três em cada dez pessoas no Brasil ainda não se sentem confortáveis em ter uma mulher como chefe. E nesse número não estão inclusos apenas homens, muitas trabalhadoras pensam da mesma forma.

Ainda que a sociedade tenha evoluído muito em comparação à décadas atrás, quando as mulheres não eram bem vistas sequer no acesso ao ensino superior, ainda há muito o que fazer.

Não se trata apenas de entender que é preciso oferecer as mesmas oportunidades para as profissionais do sexo feminino, mas sim de mudar de perspectiva e enxergar o potencial que elas têm de contribuir para uma cultura organizacional mais forte.

Ao longo deste artigo, vamos falar um pouco mais sobre as características que tornam a liderança feminina fundamental para uma organização, assim como citar os exemplos de outras grandes empresas que estão apostando nessa ideia e quais ações estão tomando para concretizá-la.

Acompanhe!

Qual a importância da liderança feminina?


A liderança feminina é essencial para estabelecer a igualdade de gênero dentro de uma empresa e, assim, contribuir para a igualdade na sociedade.

Ainda que enfrentem muitos obstáculos para chegarem à uma posição de chefia, as profissionais do sexo feminino têm toda a capacidade técnica e comportamental para lidar bem com as demandas de um cargo mais alto.

As competências que formam o perfil da liderança feminina são essenciais para o período dinâmico pelo qual o mercado corporativo está passando, influenciado pela transformação digital e o futuro do trabalho.

Toda a construção de um ambiente profissional mais igualitário, diverso e inclusivo tem a capacidade de gerar resultados que vão muito além do aspecto financeiro.

É uma visão a ser adotada pela gestão de capital humano, com o objetivo de aumentar o engajamento e a satisfação dos funcionários, refletindo no fortalecimento da reputação e reconhecimento de marca.

Por consequência, os clientes mais críticos passam a ver a empresa com outros olhos, aumentando a atração e retenção destes, gerando lucro orgânico e bruto.

Em um estímulo a esse processo, a Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres e o Pacto Global elaboraram os Princípios de Empoderamento das Mulheres, que visam orientar empresas a implementar práticas e ações que concretizem a igualdade de gênero.

Na publicação que adequa os princípios ao contexto brasileiro, em que estudos mostram que apenas 3% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres, os 7 fundamentos são:

  1. Estabelecer liderança corporativa sensível à igualdade de gênero, no mais alto nível;
  2. Tratar todas as mulheres e homens de forma justa no trabalho, respeitando e apoiando os direitos humanos e a não-discriminação;
  3. Garantir a saúde, segurança e bem-estar de todas as mulheres e homens que trabalham na empresa;
  4. Promover educação, capacitação e desenvolvimento profissional para as mulheres;
  5. Apoiar empreendedorismo de mulheres e promover políticas de empoderamento das mulheres através das cadeias de suprimentos e marketing;
  6. Promover a igualdade de gênero através de iniciativas voltadas à comunidade e ao ativismo social;
  7. Medir, documentar e publicar os progressos da empresa na promoção da igualdade de gênero.

 

Os diferenciais da liderança feminina


Como mencionamos antes, mais do que a capacidade técnica para ocupar cargos de liderança
visto que o número de mulheres em cursos de graduação e pós-graduação é inegavelmente alto —, elas têm naturalmente um perfil que contribui muito para a cultura interna.

Algumas características que podem ser citadas, com base em autoras e estudiosas que analisam as habilidades comportamentais das mulheres no ambiente corporativo, são:

Resiliência


Mulheres estão condicionadas a lidar com as adversidades que podem surgir na rotina diária desde cedo.

O histórico das mulheres na sociedade por si só já comprova o quanto elas são destemidas e dedicadas quando o assunto é contornar problemas e fazer com que suas vozes sejam ouvidas.

Esse tipo de habilidade é, hoje, uma das mais procuradas pelo mercado corporativo, que precisa de líderes perseverantes e que possam vencer os obstáculos diante de um cenário tão incerto.

Empatia


As líderes femininas tendem a ser mais empáticas que os homens, pois o ato de se colocar no lugar do outro e atentar mais ao lado humano de cada um são aspectos que fazem parte da realidade feminina.

Por conta disso, elas conseguem contribuir muito para o clima organizacional e têm uma postura motivacional muito forte, sendo generosas ao estimular, motivar e inspirar aqueles que estão ao seu redor, o que é muito importante em um líder.

Horizontalidade


As mulheres são mais propensas a apostarem na liderança horizontal. Isso quer dizer que elas não se colocam em um pedestal que as afasta dos demais colegas de equipe, como acontece com muitos homens.

Elas têm um espírito que encoraja a participação de todos, unindo indivíduos e formando equipes mais coesas e eficientes.

Flexibilidade


Outra qualidade feminina é ser multitarefa. E aqui não estamos falando de cuidar da casa e ter vida uma vida profissional, pois essa ideia não faz justiça à capacidade real que elas detém.

Elas conseguem administrar todas as suas responsabilidades e, ao mesmo tempo, observar as necessidades dos colaboradores da equipe. 

Além disso, elas são mais propensas a se adaptarem a mudanças e lidarem melhor com novidades do mercado.

O que grandes empresas estão fazendo


Ainda que estejamos em processo de avanço rumo ao objetivo de tornar o ambiente corporativo mais igualitário, é possível observar o que outras empresas estão fazendo para que isso de fato se concretize.

A Coca-Cola é uma das empresas referências quando se trata de liderança feminina, ocupando a primeira posição no ranking do Guia Exame de Mulheres na Liderança, um levantamento realizado pela revista Exame em 2017.

A organização, ao perceber que o número de mulheres em cargos de chefia era muito desigual, começou, em 2012, a implementar ações que quebrassem os possíveis obstáculos que impediam a força feminina de crescer no ambiente interno.

As iniciativas foram desde processos seletivos mais equilibrados em gênero até o apoio ao cuidado com os filhos e à colaboradoras gestantes.

De maneira geral, o guia também considerou as ações tomadas pelas 30 empresas mais bem classificadas no ranking e que podem ser tomadas como exemplo. São elas:

  • Criação de programas de mentoria, coaching e incentivo à participação de mulheres em cargos dominados por homens, para que haja referências em que as profissionais possam se projetar;
  • Criação de um comitê focado em debater a liderança feminina e gerenciar as ações e  envolvimento de altos cargos com o tema;
  • Adoção de uma política formal de compromisso com a equidade de gênero e diversidade, também, com fornecedores;
  • Acompanhamento da presença feminina por cargo e das causas da rotatividade por nível hierárquico;
  • Inclusão de mulheres em processos de conscientização, além da criação de um canal de denúncia e combate à discriminação de gênero;
  • Incentivo e apoio ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal, flexibilizando a jornada de trabalho.

 

 

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